sexta-feira, 21 de outubro de 2011

ontem.

um cheiro doce faz com que todo o momento seja reconstruído em questão de segundos. Metrô, quinta-feira, segundos.

sábado, 8 de outubro de 2011

e quando você menos espera...uma passagem te surpreende

18:16... O dia já entardeceu em São Paulo. Terra molhada, asfalto deslizando. Depois de um dia quente, uma chuva repentina fez com que todo o dia fosse tocado e visto de outra forma.
Passei o dia descansando, um pouco de dor de cabeça e resolvi assisti o filme da Bruna Surfistinha.
No início, dei muitas risadas, achei algumas situações bobas como guardar dinheiro no armário.
Uma narrativa simples, com elementos singulares para contar da vida de alguém. Ao mesmo tempo, o filme mexeu comigo em uma cena em especial.
A cena que Bruna, a personagem, fala das nossas escolhas. A importância de sempre lembrar: - eu escolhi isso, eu escolhi aquilo, eu vou escolher...
Essa frase nunca fez tanto sentido para mim hoje, 25 anos completados e tentando uma incessante busca de me reencontrar. Assim como Bruna, eu sempre tive a sensação de viver personagens, mesmo com meu coração bom sempre ali.
Fiquei pensando em quantos personagens foram vividos até agora, em suas diferentes cidades.
Poderia ficar horas aqui escrevendo, falando de tudo o que aconteceu até hoje, desde Julho de 2004, quando eu saí de casa.
Os anos passaram e eu aprendi muita coisa com essa escolha.
Aprendi com os meus erros, mas continuei errando. Errando sem limites e com uma briga constante com a eterna inconstância que eu tenho aqui. É como se fosse um nó, desata e ata novamente e não vai amarrar outros lugares, outras coisas. Ele fica sempre aqui.
Estou falando de mim. Quando você fala de você parece uma porta abrindo devagar, dando margem para algo acontecer ou apenar olhar o que que vai acontecer.
A vida me deu um tapa na cara. Um tapa ácido, ardido e que me fez repensar o que acontece na minha vida, como conduzo as coisas e como eu deveria lutar por aquilo que eu acredito.
Por alguns dias, fiquei um pouco assustada, sem saber o que fazer porque finalmente eu teria que me perguntar: - o que você que fazer? como você quer fazer? o que você acredita? Talvez, eu tenha fugido disso por muito tempo.
Duas semanas depois, esses pontos estão ficando mais claros para mim.
O primeiro deles é me resolver comigo mesma, assumir o que eu sou, o cabelo, os gostos, as preferências, minha forma de pensar, de agir. Eu sou assim. Não force ser alguém por medo do que seus pais vão falar, do que seus amigos vão te questionar e do que a sociedade vai te cobrar.
É como se eu tivesse tirado um peso das costas. Eu sou assim. Mais perto do simples, do livre, da natureza, das pessoas. Eu sou movida por esses pontos e tenho como dever balancear isso da melhor forma possível.
Ter saído de casa, me tornou ao mesmo tempo uma pessoa forte e uma pessoa tão frágil quanto. Entretanto, de uma frieza que as vezes me assusta. É como se tudo fosse muito difícil para me desconstruir, no mesmo questionamento vem na minha memória o pedinte da avenida paulista agradecendo a Deus por mais um dia de vida.
Escureceu, o incenso está mais gostoso, Amy no Itunes cantando Some Unholy War:
"With strength he didn't know
It's you i'm fighting for"
Sim. lutar por você mesmo. Não pelo outro. Assim interpreto dessa forma, quando penso nessa constante de se reencontrar.
Esse foi o primeiro ponto. Os próximos falam da família, dos amigos, da forma de ver a vida, de fazer dos pequenos momentos, momentos especiais.
Depois disso, me permito contar de um cheiro. Um cheiro que fez parte dos meus dias por um longo tempo, um cheiro que nunca me fez mal, um cheiro que sempre deixou claro suas escolhas e que ao mesmo tempo me trouxesse uma lacuna de saber lidar com o que acontecia.
Na verdade, ele me trouxe de novo, depois de 3 anos, sensações sinceras e não fugazes como outras. Nesses 3 anos, é como se eu fosse ter as melhores recordações de um dia que eu comentei: - eu gosto daquilo que me desconstrói, sem que o cheiro soubesse que ele fizesse isso.
Fizesse da forma mais simples, respeitando o que eu sentia e deixando claro o que queria e o que não queria. Tudo tem seu tempo e cada pessoa faz a sua escolha.
O melhor disso tudo é ter a certeza que independente do que aconteceu, eu sempre vou ter uma sensação de frio na barriga, tão rara em nossos tempos, quando sentir aquele cheiro de novo. Na hora de dizer um oi tudo bem ou tomar um café. Gostar de alguém é além de tudo um ato sincero de você permitir para você mesmo se desconstruir e se reinventar.
Eu entregaria um envelope de pétalas vermelhas escrito saudade. Saudade de sentir um cheiro.
Tem gente que sente saudade do cheiro do mar.
Apesar de tudo isso, eu preciso lutar. Lutar pelo meu sonho, não deixar que o choro de ansiedade e as noites em claro com perguntas cretinas criem pedras para isso acontecer. Eu posso me arrepender um dia, mas eu quero lutar.
Daqui 5 anos, talvez eu leia esse texto de novo. E lembre que fosse mais simples do que eu pensava. Ou não.