15 minutos olhando, pensando no que escrever… talvez seja o medo do que as próximas linhas possam traduzir.
Esse era o tempo, o parênteses antes de começar a contar para você o que fica aqui.
Eu sempre escrevi cartas, algumas para amigos, outras para amigas e poucas cartas que contassem um pouco de amor.
Contar o amor é algo difícil, você precisa ser sincero, detalhista e cuidadoso com o que escreve.
Contar o amor muitas vezes não é o que se sente, mas a forma como as coisas acontecem, o toque do pouco a pouco.
É como se eu saísse de casa todos os dias, atravessasse a rua, pegasse o metrô e olhasse as estações uma por uma.
Fazer isso é tão cuidadoso com o que sinto como subir as escadas do restaurante, ver você pegar os talheres, comentar sobre a comida,
observar os trejeitos nervosos da minha conversa no almoço, rir pouco ou rir muito, e no final ficar em silêncio sem saber dizer que no lugar do café eu só queria tocar o teu rosto como se dedilhasse um teclado, com cuidado, com carinho e sem intenção.
O café sempre acontece depois, como se fossem minutos eternos entre o cheiro, a conversa e o tempo que se esgota.
O cheiro sempre me confunde, toda vez que você chega meu nariz é tomado pelo teu cheiro e a vontade que eu tenho é de apenas sentir e não falar.
Talvez, eu pedisse para o tempo parar, chegar mais perto e contar algo para você, algo simples, simples como o que sinto toda vez
que nos reencontramos.
Ainda é preso, por medo, por já saber que não terá. É um copo de amor, por mãos suadas e entregues com beijos de saudade.
Saudade do que gostaria de ter.
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